Já alguma vez se perguntou porque é que até os sapatos de melhor qualidade adquirem, com o tempo, um odor específico? Na verdade, o problema não reside no material do calçado ou mesmo nas particularidades do corpo, mas numa complexa cadeia biológica que é activada no processo de utilização.
O principal culpado é o microbioma
A principal causa do âmbar cinzento é bactérias. A própria pele dos pés tem mais de 250.000 glândulas sudoríparas que segregam humidade. No entanto, o suor é praticamente inodoro. Os odores desagradáveis ocorrem quando os microrganismos que vivem na pele (por exemplo, estafilococos) começam a decompor as substâncias orgânicas contidas no suor. Neste processo, libertam compostos voláteis, tais como o ácido isovaléricoque é o que lhe confere o seu odor pungente.
O papel dos materiais e da ventilação
Os sapatos criam o ambiente de “incubação” perfeito para os germes – existem escuro, quente e húmido.
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Materiais sintéticos: O couro e os têxteis artificiais têm frequentemente uma fraca permeabilidade ao ar, criando um “efeito de estufa”. Este facto acelera exponencialmente o crescimento de bactérias.
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Estrutura porosa das palmilhasAs camadas interiores dos sapatos, especialmente as feitas de espuma ou de tecidos baratos, funcionam como uma esponja. Absorvem não só a humidade, mas também as partículas queratinizadas da pele, tornando-se uma fonte constante de alimento para os microrganismos.
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Falta de secagem: Se um par não secar completamente durante a noite, a humidade acumula-se nas camadas profundas da sola, provocando bolor e fungos.
Factores externos e higiene
Para além da biologia, o estado do calçado é influenciado pelas condições de utilização. Num ambiente urbano, a superfície do calçado está exposta a produtos químicosAs meias são feitas de material sintético de baixa qualidade, que não drena a humidade da pele, mas antes a retém no interior da sapatilha, aumentando o processo de fermentação. Se forem utilizadas meias sintéticas de baixa qualidade, a humidade não é retirada da pele, mas sim retida no interior da sapatilha, aumentando o processo de fermentação.
Como reduzir a absorção de odores
Para minimizar o problema, é importante atacar a causa principal – o ambiente húmido. A utilização de produtos especializados desodorizantes com um efeito antibacteriano ajuda a inibir a atividade microbiana numa fase inicial. A substituição regular das palmilhas por versões de carvão ativado ou de cortiça natural também ajuda a absorver melhor o excesso de humidade.
Os cuidados adequados e a compreensão dos processos biológicos podem prolongar significativamente a vida de qualquer par. É aconselhável deixar o calçado “descansar” durante pelo menos 24 horas antes de o reutilizar, para que a estrutura do material tenha tempo de recuperar totalmente.
Manter o interior do calçado seco continua a ser a forma mais eficaz de combater o crescimento bacteriano.
A utilização atempada de secadores eléctricos ajuda a evitar a degradação das fibras internas do material.

